18.10.10

             
velas içadas
rajadas de vento
rasgando palavras
água lambendo a proa
bons ventos, garoa.

âncora recolhida.
sensação de partida.
sabores brotando na boca
todos vindos de antes
do que já se tinha esquecido.

o mar é imenso.
negro feito a pior notícia.

nave que deixa o cais
ao mar:  navegar é o início.

velas içadas
águas e desconhecido
sol no horizonte
luz na maré amanhecida sempre que for preciso.

cabeça abobada
abóbadas roubadas
das noites negras do hospício
tudo tão dúbio
tudo tão obtuso

noivo sozinho no altar
noroeste que não existe.

ah!  as tuas planícies, as tuas aves, tuas montanhas de meninices

velas içadas
rajadas de vento
água lambendo a proa
e lá na frente, inesperada,
toda tua superfície

marujo no mastro gritando:

amar
   à
     (primeira)
vista.

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