9.10.10

de luto,
feito ferro fundido em bruto,
meu coração descompassado se guarda em lápide
de conhecida pedra escura
e se põe a morrer, minuto a minuto.

(nada último, nenhum ar de oxigênio assim tão absoluto)

então sangra!

vaza vesúvios que trazia amortecidos
bate tambores desafinados de couro carcomido
quebra vidraças
rasga sacos e mais sacos de celofane colorido.

e assim morre outro pouco,
sem ver que tudo é tal qual verdadeiro suicídio.

sobra somente o oco dos teus olhos previstos
feito bandeira lá no mais alto do mastro inimigo.

já era escuro quando dei conta do acontecido
chegaste então sorridente, vestindo preto
feito meu coração de luto,
e ao vê-lo ali enlapidado,
quieto como fim de domingo,
deixou-o de lado,
de novo assim sem ruído
em pleno estado gasoso

desgostoso

nem sólido,
nem oleoso,
só levemente amortecido,
a celebrar o luto.

na estreita fresta da porta, um vento seco desenha precipícios.

no fim, não era.
era somente o início do tenebroso exercício
de
te
perder
ad
infinitum.

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