9.10.10

recitando Voltaire em silêncio
no sério intento
de voltar outro dia
me pego doído e “penso”
a te olhar de lado
exatamente como pretendia.

logo ali adiante, quase na minha frente,
insolente,
o sol se sente suficiente
para lhe tingir meia cara
com luz intensa e desinibida
exatamente como eu faria.

e cara, rara, mas muito cara,
tua presença premente
imensa mas convergente
assim de perto, franzina
põe-se a curar agruras
inaugurar alturas
com que eu jamais sonharia.

e num repente
exatamente quando o tempo tenta seguir em frente
castanho olho intermitente
doce, grande, transparente
praticamente concede-me dança até então interdita.

tudo pacato, tudo tácito, tudo assim tão decente
como se tudo já tivesse acontecido.

prá cá
prá lá
volta prá cá de novo
vai prá lá novamente.

como relendo primoroso livro
favorito entre os favoritos
assim te prendo comigo,
fazendo arco com os braços
aquietando o apreço
inquietando o juízo.

com a alma suspensa
na leve brisa da tarde que ia
lembrando que é renda
a volta do lenço
sabendo que é ouro a palavra que eu tanto queria.

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