1.10.10

essa noite guardei teu cheiro
na dobra mais paroxítona que encontrei no que sobrou de mim.

não era vazia
não era fria
a visão do teu corpo marcado no cetim do lençol em que me escondo.

era um porão
era um vão bem aquecido, avião voando pássaro bandido
era um zunido cortando o meu e o teu ouvido
estampido de bala que rasga do coração ao umbigo.

ah
o céu!
era mesmo o céu
que trazias escondido
no gesto não pretendido
nas curvas do corpo
no peito arfante de espanhola de fotografia
que me dizia como são todas as maravilhas
e os nomes de todas as ilhas do arquipélago em que nada mais existia.

essa noite guardei o teu cheiro
e nada mais trago comigo
deixei a razão
desfrutando do acontecido
os documentos na gaveta
e o mar do outro lado da rua batendo nas pedras um toc toc impossível
indo e voltando
como se fosse sorriso
como se fosse o amor  que não avisa
como se fosse a brisa batendo no rosto
de olhos puxados e nada nada arrependidos
como se fosse o sorriso
do melhor amigo
avisando que volta
que volta prá ficar comigo.

2 comentários:

  1. Tô passando mal!!!!
    Li várias vezes.
    Você é incrível!
    Amei...

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  2. cadê mais...

    quero mais!

    bjokas.................

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